INÍCIO




(Da esquerda para direita)


Alex Crivelaro Matheus Garcia
Pedro Kenzo Muramatsu

Marcos Josué Costa Dias
João Pedro Pilastri Terruel
Ricardo Pinal de Mello 

INTRODUÇÃO

Neste trabalho, será abordado o tema da polarização política no âmbito escolar. Atualmente, este fenômeno prejudica a formação educacional dos alunos, uma vez que não possibilita a ampliação do conhecimento.


Polarização política é a divergência de atitudes políticas referentes a dois extremos ideológicos, como por exemplo, a relação entre os partidos políticos, há aqueles caracterizados por serem de esquerda e outros por serem de direita.

Os termos esquerda e direita originaram-se durante a revolução francesa. Hoje a esquerda enquadra progressistas, sociais liberais e ambientalistas, enquanto a direita é representada por conservadores, capitalistas e neoliberais.


Portanto, nas próximas seções deste documento serão explicadas as divergências políticas no CTI, como se manifestam e quais os problemas decorrentes dela.

JUSTIFICATIVA



Observando o atual cenário político, fica evidente a presença de uma polarização ideológica entre as pessoas. Isso é observado dentro de diversas manifestações da mídia e redes sociais, cuja decorrência mais agravante é o prejuízo causado no meio escolar.
Como disse o filósofo Leandro Karnal:

“A polarização política é burra, pois ela vai contra o exercício da reflexão e raciocínio.”

Retomando o objetivo essencial da escola, que é formar cidadãos íntegros com a capacidade de criticar e pensar de maneira autônoma, é extremamente perigoso que jovens posicionem-se em prol de dadas teorias, sem antes ter realmente refletido sobre aquela maneira de ver.

Por conta desse tipo de situação, muitos meios sociais acabam culminando em exclusão, ou até pior, violência. Isso faz com que haja um tipo de comportamento distorcido entre os jovens dentro de escolas, apenas porque alguns deles possuem modos de pensar diferentes, acerca de certo tema.

Ao recorrer a ideias preconcebidas, para formação de argumentos, perpetuamos visões distorcidas da realidade e nos distanciamos cada vez mais das pessoas que talvez pensem da mesma maneira. Assim sendo, desarticularemos esses preconceitos e esteriótipos através de pesquisas imparciais.

O grande motivo de termos escolhido esse tema, foi de querermos demonstrar que, embora as pessoas possam seguir fielmente ideologias ou doutrinas, todos devem ter o direito e o conhecimento para questionar-se em busca da própria verdade.


OBJETIVOS



•Incentivar a aceitação de diferentes pontos de vista e assim o diálogo entre ideias divergentes;

•Desmistificar a concepção que as pessoas têm sobre polarização política, afinal, estas acreditam que tal tema se restringe a duas vertentes bem definidas. (direita e esquerda);

•Conceituar de forma clara, tais afirmações, para que equívocos não tornem a acontecer, já que este modo de observar a realidade, acaba por generalizar o modo de pensar.

POPULAÇÃO E AMOSTRA



População:

 

 

Os 420 alunos do período Diurno do Colégio Técnico Industrial "Prof. Isaac Portal Roldán”, de Bauru no estado de São Paulo.


Amostra:



Dentre os discentes que frequentam o curso técnico concomitante ao ensino médio (Diurno), a amostra é de 150 alunos. Estes estão distribuídos entre os cursos de Informática, Mecânica e Eletrônica, do 1o, 2o e 3o anos do ensino médio.

Para tornar a amostra representativa, os questionários foram respondidos por todas as salas, cada uma seguiu a faixa de 12 a 13 questionários respondidos.


QUESTIONÁRIO


01 - Qual é o seu gênero (sexo biológico)? 


A.     Masculino.
         
B.     Feminino.


02 - Qual é a sua renda familiar?


03 - Qual é a sua idade?


04 - De acordo com a reforma do ensino médio, apresente sua opinião:


A. Concordo absolutamente, visto que poderei escolher uma grade que possa ser útil na minha futura profissão.
  
B. Discordo, pois essa reforma contribuirá para que o aluno, que não consegue apontar as matérias essenciais, venha a formar uma grade que prejudique sua formação no mercado e como cidadão.

C. Concordo em partes, pois a atual grade curricular é arbitrária e não diz respeito à realidade.
     
D. Discordo de certos pontos, já que a fragmentação do conhecimento  virá a causar consequências ruins para as próximas gerações.
       
E. Indiferente.


05 – Demonstre sua preferência quanto a forma de governo.


A. Democracia.

B. Fascismo.
    
C. Anarquismo.
    
D. Socialismo.
   
E. outros:___________


06 - A respeito da organização política no País, você considera a mídia parcial?


A. Absolutamente não, pois a mídia representa em todos os casos a verdade e é imparcial por definição.
    
B. A mídia é completamente parcial, pois é uma ferramenta de alienação do estado.
     
C. Como herança histórica, a mídia permanece tendenciosa ao conservadorismo.
    
D. Há sim uma parcialidade na mídia, uma vez que é em sua maioria adeptas aos ideais progressistas.
     
E. Não sei o que responder.


07 - Qual a sua opinião sobre a descriminalização do aborto?

 
A. Concordo, pois este é um direito da mulher.
    
B. Discordo, já que a partir do momento da formação do embrião, temos vida e é um crime da pior natureza negar a alguém tal direito.
    
C. A favor em dadas situações, como em casos onde a vida da gestante está em risco ou quando o embrião foi formado por uma violência sexual.
  
D. Contra, pois mesmo sendo uma forma de garantir a saúde pública, permanece imoral.
    
E. Sou indiferente.


08 - Sobre as cotas raciais, qual é o seu posicionamento?


A. Concordo plenamente, pois é a única forma de combater a desigualdade étnica no campo da educação.
   
B. Sou totalmente contra, uma vez que reforça o preconceito ao segregar um grupo com base na cor da pele e não em condições sociais.
   
C. Concordo parcialmente. Pois o efeito atua de imediato mesmo que possa ressaltar a segregação social.
   
D. Discordo em partes, já que tal medida, ainda que necessária, sozinha não resolveria os problemas, o necessário seria que o Governo investisse mais no campo da educação.
  
E. Não tenho condições de opinar.


09 -Você acredita em doutrinação partidária nas escolas?


A. Definitivamente, pois os partidos políticos, sobretudo de esquerda, influenciam diretamente no ensino público e privado.
   
B. Não existe pois trata-se de uma ideia criada para censurar determinadas visões políticas.
   
C. Por mais que não haja doutrinação política direta é impossível ensinar de modo imparcial.
    
D. A fim de combater a suposta doutrinação, outros pontos de vista devem ser expostos e debatidos.
    
E. Não sei.


10 - Com qual das citações abaixo você se identifica?   


A. “"Tirar de cada qual segundo sua capacidade, e dar a cada qual segundo suas necessidades."
    
B. “O melhor programa social é o emprego.”
    
C. “O governo é uma doença que finge ser sua cura.”
    
D. “Tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado.”
   
E. “A sociedade que coloca a igualdade à frente da liberdade irá terminar sem igualdade e liberdade.”


11 - No tocante ao tema, você já foi rotulado com base em suas posições políticas na escola?

 
A. Sim, várias vezes, dentre as quais com a presença de violência.
    
B. Já, mas de maneira superficial e sem afetar minha vida acadêmica.
    
C. Ocorreu no passado e não se repetiu após diálogo.
    
D. Não, meus colegas sabem discutir sobre todo tema sem julgamentos.     
E. Não sei responder, pois só ando com quem tem opiniões parecidas com as minhas.


12 - Em uma sociedade civilizada, deve sempre haver pessoas acima, para mandarem, e pessoas abaixo para serem comandadas.

 
A. Esta afirmação é verdadeira, pois é necessária a divisão hierárquica das pessoas.
    
B. No mundo atual, o mérito e a acumulação de riquezas permitem que o indivíduo desempenhe papéis mais elevados na sociedade, logo os mais preparados e mais ricos têm que poder mandar nas pessoas de condições inferiores.
   
C. Discordo desta sentença, pois a sociedade deve ser igualitária.
  
D. O Estado sendo detentor dos meios de produção, poderia vir a organizar as relações sociais de forma eficaz e justa, portanto, sou contra tal sentença.
   
E. Para mim isto é indiferente.


13 - Qual é o seu posicionamento referente ao alistamento militar:


A. Este deve ser obrigatório, pois é dever de todo cidadão brasileiro, servir à Pátria, independentemente de raça, gênero, condição social, ocupação, etc.
   
B. Não deve ser obrigatório, pois vai contra o direito de escolha de cada indivíduo.
   
C. Deve ser obrigatório somente em casos de guerra declarada e restrito aos homens.
    
D. Não deve ser obrigatório, pois muitas pessoas não possuem inclinação para exercer as atividades militares.
   
E. Não tenho a capacidade de opinar.


14 - Selecione um candidato que mais o interessa para o cargo de  presidente?

 
A. Lula;
    
B. Bolsonaro;
    
C. Dória;
    
D. Marina Silva;
   
 E. Ciro Gomes.


15 -Você é de esquerda ou de direita?

 
A. Esquerda.
    
B. Direita.


RESULTADOS



QUESTÃO – 1 : Qual é o seu gênero (sexo biológico)?




É possível concluir que a maioria dos entrevistados são homens.

 

QUESTÃO – 2: Qual é a sua renda familiar?




 
   
   
                                           
É possível concluir que a maioria dos entrevistados possuem renda entre 600,00 a 12480,00 reais (Isto é, têm renda fixa referente às pessoas de classe média – classe média baixa, portanto, tendem a escolher um regime voltado a políticas de esquerda) e poucos acima disto (que tendem a aderir a regimes de direita).


QUESTÃO – 3: Qual é a sua idade?


A maioria dos entrevistados possui de 14 a 18 anos.

QUESTÃO – 4: De acordo com a reforma do ensino médio, apresente sua opinião.



É possível concluir que a maioria dos entrevistados (62%) é contra a reforma no ensino médio, ideais de esquerda, afinal políticas de direita tendem a aprovar este processo.


QUESTÃO – 5: Demonstre sua preferência quanto à forma de governo.

   
   
É possível concluir que a maioria dos entrevistados optam pela democracia, ou seja, querem que sejam respeitados e representados seus direitos.


QUESTÃO – 6:  A respeito da organização política no País, você considera a mídia parcial?


É possível concluir que a maioria dos entrevistados atacam a mídia pela parcialidade (61%), condenado seus valores conservadores (mentalidade de esquerda).


QUESTÃO – 7: Qual a sua opinião sobre a descriminalização do aborto?

                                 

Apesar de haver uma resistência quanto a completa legalização do aborto (30% - mentalidade de direita) a maior parte (66%) é a favor da legalização completa (ideais esquerdistas).


QUESTÃO – 8: Sobre as cotas raciais, qual o seu posicionameto?


A maior parte das pessoas (68%) indicou que é contra às cotas raciais (tendência direitista).


QUESTÃO – 9: Você acredita em doutrinação politico partidária nas escolas?

   

Ocorreu uma disputa acirrada entre ideias de direita (24% - Que acreditam em doutrinação, condenam o estado ) e ideias de esquerda (33% - Que não acredita, protege o estado como imparcial) e ainda, neutros (25% - Que julgaram necessárias outras opiniões).


QUESTÃO – 10: Com qual das citações abaixo você se identifica?


   
Grande vitória de ideais de esquerda (Alternativa 1 – 83%).

QUESTÃO – 11: No tocante ao tema, você já foi rotulado com base em suas posições políticas na escola?



A maior parte das pessoas (57%) indicou que é já foi rotulada, ou seja, há discriminação, pelas aparências bem efetiva, no meio escolar.

QUESTÃO – 12: Em uma sociedade civilizada, deve sempre haver pessoas acima, para mandarem, e pessoas abaixo para serem comandadas.


Vitória dos ideais de direita (50%).


QUESTÃO – 13: Qual o seu posicionamento referente ao alistamento militar?



Disputa acirrada entre (39%) de esquerda e (33%) de direita.


QUESTÃO – 14: (Julho de 2017) Selecione um candidato que mais o interessa para o cargo de presidente?


   
Há maior concentração de votos em representantes de direita (57%), Dória e Bolsonaro.


QUESTÃO – 15: Você é de esquerda ou de direita?



Contrariando as expectativas, há vitória de (58%) de direita sobre (42%) de esquerda.


CONSIDERAÇÕES FINAIS



Ao final de nosso projeto, observamos que muitos possuem pouco ou nenhum conhecimento sobre as manifestações da polarização política. Como consequência, observou-se a divisão de grupos dentro do ambiente escolar, com base em ideais políticos, assim como confrontos (dentro ou fora da sala de aula), que, muitas vezes, tomam o lugar do debate.

Algo peculiar nesse acontecimento é que as pessoas sentem-se capazes de atacar ou denegrir a imagem de outros indivíduos, quando em grupos que defendem uma mesma ideologia. Em suma, as pessoas agem de determinada maneira devido a repercussão social de suas ações, que por sua vez, demonstra que houve um declínio da racionalidade adquirida individualmente, causando uma deficiência escolar.

Apegando – se a bandeiras políticas, um indivíduo polarizado não é capaz de observar os conceitos e formar a própria opinião, torna-se ignorante.

Para evitar que tal prejuízo acadêmico ocorra, poderiamos revisar às bases educacionais visando criar cidadãos de mente aberta e dotados de análise crítica.

DIFICULDADES E SUGESTÕES



Uma dificuldade notável enfrentada pelo grupo durante a produção do trabalho ocorreu durante a pesquisa do tema. Por mais que atual, o fenômeno da polarização política não é debatido na mídia em todas as suas vertentes. É comum observarmos reportagens inteiras dedicadas à polarização entre os candidados à presidência, sendo que poucas fontes se dedicaram a debater sobre esse fenômeno no meio escolar. Sendo assim, a elaboração da tese deste projeto se deu pela discussão e observação feitas pelos próprios integrantes.
   
No entanto, tal dificuldade nos incentivou a buscar informações para além da internet. Por exemplo, buscamos as opniões sobre o assunto sob o ponto de vista de um professor de filosofia (Khalil Axcar, professor de Filosofia do CTI).
 
Outra dificuldade foi a elaboração de um questionário sobre polarização política, que não fosse polarizado. Todos possuem uma ideologia (que pode ser projetada no que fazemos), o que pode prejudicar na elaboração de um tema que, por natureza, retrata os problemas da parcialidade.

Frente a tais dificuldades, sugerimos que a pesquisa do tema deve ser realizada de maneira contínua e, principalmente, debatida. Em um meio tão polarizado como vivemos, debater sobre o assunto é vital para evitar a alienação e  a perpetuação da ignorância. Através do diálogo de ideias divergentes é que se obtém uma conclusão  que pode atender ás necessidades do todo.

A luta contra a polarização política no meio escolar está longe de acabar. Sendo assim, cabe, não somente aos integrantes deste grupo, discutir sobre os efeitos desse fenômeno e incentivar o debate. Essa tarefa cabe à todos, sem exceção. É dever de toda a sociedade zelar por uma nação em que se possa dialogar e, assim, chegar à conclusões que levem ao progresso. É somente através dessa luta que se mantém uma democracia.

ANEXOS



A – FÓRMULAS ESTATÍSTICAS



REVISÃO BIBLIOGRÁFICA



TEXTO 1



O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, de desfecho ainda imprevisível, veraneará durante algumas semanas. Enquanto ele descansa nalguma praia à espera dos novos passos no Congresso Nacional, podemos afirmar com relativa segurança que contribuiu para acirrar no Brasil um dos maiores problemas da política contemporânea – a polarização entre dois campos opostos, normalmente identificados com as palavras “esquerda” e “direita”.

A exemplo do que ocorre em outras nações do planeta, suas vozes parecem radicais, inconciliáveis e estridentes. No Brasil, a oposição entre petistas e antipetistas toma conta das ruas, das redes sociais, do Congresso Nacional, das páginas da imprensa e, diariamente, da área de comentários aí embaixo. O comportamento agressivo se mistura ao extremismo para criar um ambiente tenso, onde se tornam mais e mais raras as vozes da sensatez e da ponderação.

É verdade que não existe política sem divergência. É da natureza do debate, em todas as democracias do planeta, que os interesses e as ideias a respeito do melhor rumo a tomar se cristalizem em discursos antagônicos. Também não existe debate inteiramente civilizado em quase nenhum lugar do mundo e, comparativamente, estamos bem longe do nível de polarização alcançado em outros países, como Estados Unidos ou Argentina.
   
Ainda assim, qualquer que seja o resultado do processo de impeachment, é difícil crer que a polarização diminuirá no Brasil. Ela só tem crescido há anos. Há um fenômeno novo em curso na nossa política e não apenas nela. Entender suas raízes e consequências é essencial para tentar vislumbrar o futuro da nação. Ao longo desta semana, publicarei uma série de posts a respeito do assunto, que venho estudando há alguns meses. Eles serão divididos em temas, de modo a formar um todo coeso ao final.
 
No post de hoje, discuto a natureza dos dois polos políticos em torno dos quais os discursos se agrupam a esquerda e a direita. Cada um de nós tem uma noção relativamente intuitiva a respeito do significado dessas palavras, originadas com a divisão da Assembleia Nacional formada durante a Revolução Francesa. Em 27 e 28 de agosto de 1789, logo depois da proclamação da Declaração dos Direitos do Homem, numa votação a respeito dos poderes de veto do rei, os nobres e o clero se alinharam à direita do presidente da Assembleia; enquanto os representantes do Terceiro Estado, burgueses, profissionais liberais e populares, se alinharam à esquerda.
 
Foi a primeira vez na história em que a política se dividiu em esquerda e direita. Desde então, por simetria, a esquerda tem sido identificada com o povo e os pobres; e a direita, com os ricos e a tradição religiosa. Na visão mais bondosa, a esquerda se preocupa com questões sociais e coletivas – defende a igualdade. A direita, também na visão bondosa, com as garantias individuais – defende a propriedade, a liberdade, a responsabilidade.
 
A esquerda tende a ser vista como mais estatista na economia (favorável a impostos e sindicatos) e mais liberal nos costumes (favorável ao aborto, ao casamento gay e à descriminalização da maconha). A direita, como mais liberal na economia (favorável às privatizações, ao empreendedorismo e à redução do tamanho do Estado), mais conservadora nos costumes e na visão de Justiça (favorável a leis baseadas em princípios religiosos, à ação policial mais dura e à pena de morte). Mas o que essas visões significam na prática? Será possível traçar na sociedade brasileira de hoje uma linha divisória entre dois grupos, um à direita, outro à esquerda, como a estridência da polarização dá a entender?

Para tentar responder, encomendei uma pesquisa, feita com exclusividade para o G1 pelo instituto Paraná Pesquisas. No final de novembro, antes da aceitação do processo de impeachment contra Dilma, os pesquisadores ouviram 2.020 pessoas maiores de 16 anos, em 23 Estados e 164 municípios brasileiros, a respeito de 17 questões que polarizam a sociedade, cujas respostas são imediatamente associadas aos dois polos, direita e esquerda.

De acordo com os critérios estatísticos, há 95% de probabilidade de que a sociedade brasileira seja representada pela pesquisa, dentro de uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
 
Os entrevistados também foram ouvidos a respeito de seu posicionamento político genérico. Cerca de 52% dos que responderam à pergunta se definiram como “moderados”. Apenas 9,7% se disseram “liberais”; 10,7%, “socialistas”; e 23%, “conservadores”. Questionados especificamente a respeito de onde ficavam no espectro entre esquerda e direita, mais de 55% se colocaram no centro, entre as opções “centro-esquerda”, “centro” e “centro-direita”. Apenas 18% se identificaram na “direita”, e 27% na “esquerda”. Há, portanto, uma grande imagem de moderação na sociedade brasileira. 

O grosso do povo brasileiro se vê como centrista, ponderado, sem vínculo ideológico definitivo à direita ou à esquerda.

Essa visão faz eco a um conceito que tem sido muito difundido nas últimas décadas, desde a queda do muro de Berlim, sobre como a esquerda e a direita modernas mudaram, se aproximaram e adotaram ideias uma da outra. São frequentemente apontados como exemplos aquela esquerda que apoia a responsabilidade fiscal ou aquela direita que apoia os programas sociais. O sociólogo britânico Anthony Giddens lançou nos anos 1990 uma expressão para qualificar esse campo comum, a Terceira Via. Seria uma espécie de via da moderação, o caminho do meio capaz de superar a polarização política. Pela resposta à pesquisa, é nele que acredita estar a maior parte dos brasileiros.
 
Mas a mesma pesquisa desmente essa ilusão. Embora se identifique como moderado e centrista de modo genérico, o brasileiro adota posições extremistas ao responder sobre 17 questões específicas: aborto, descriminalização da maconha, casamento gay, pena de morte, cotas raciais, justiça dos impostos, manutenção do Bolsa Família, gastos do governo – e até a disputa entre taxistas e o Uber.

Os entrevistados foram convidados a escolher entre a aprovação e desaprovação às 17 perguntas numa escala de 0 a 10. Embora a média ponderada das respostas transmita a impressão de moderação na população, em todas elas os entrevistados escolheram as duas respostas extremas (0 e 10) mais de 63% das vezes – um nível que chegou a 80% e ficou, na média, em 73%. As três respostas intermediárias, mais moderadas, foram escolhidas em média por 12,6%.
 
A segunda conclusão da pesquisa é ainda mais intrigante. Os estatísticos dispõem de uma ferramenta para avaliar quando duas variáveis estão associadas, conhecida como índice de correlação. Trata-se de um número, entre 0 e 1, que mede, grosso modo, o grau de interferência de uma na outra. No caso das ciências naturais ou exatas, é preciso um índice de correlação superior a 0,6 para que se possa afimar uma relação significativa entre duas grandezas. No caso das ciências humanas, basta uma correlação de 0,2 para isso.
 
Seria razoável, se vivêssemos numa sociedade dividida entre direita e esquerda, esperar que as respostas se aglutinassem em grupos correspondentes a esses dois lados do espectro ideológico. Mas não é o que acontece. Praticamente não há relação alguma entre elas. Testadas todas as correlações entre as perguntas da pesquisa, em apenas quatro casos ela foi superior ao patamar de 0,2 – e, no mais alto, chegou a apenas 0,25. O gráfico abaixo apresenta os resultados:
 
Alguém pode ser contra aos impostos (à direita) e contra a mudança na idade de aposentadoria (à esquerda). Pode ser a favor das cotas raciais (à esquerda) e a favor da extinção do Bolsa Família (à direita). Analisando todas as combinações de respostas, não se verificam as associações estatísticas esperadas caso a sociedade estivesse dividida em dois grupos ideologicamente consistentes. As únicas relações significativas, ainda assim fracas, são entre as posições a respeito do aborto e do casamento gay e de ambos com a religião; e entre a pena de morte e a legalização do porte de armas. As relações entre as demais respostas a quaisquer duas questões são insignificantes e, mesmo quando existem, são insuficientes para caracterizar dois lados ideologicamente definidos como direita e esquerda.
 
É, portanto, correto afirmar que as palavras “direita” e “esquerda” não fazem mais sentido prático no mundo de hoje. As posições de ambos os lados estão embaralhadas pela sociedade. Embora eles ainda tenham algum sentido filosófico, não são conceitos que possam ser cientificamente verificados na população. Mas isso não significa que o cidadão tenha migrado para o “centro moderado”, por mais que ele insista em afirmar isso. Ao contrário, ele adota posições mais extremas a respeito de questões específicas – do aborto ao Uber; do ajuste fiscal à pena de morte; das estatais à religião.


O mesmo fenômeno pode ser detectado em outros países. Nos Estados Unidos, um caso mais extremo, a polarização vem se acirrando há mais tempo. Um estudo definitivo que demoliu o o mito dos moderados por lá foi publicado em julho passdo pelos pesquisadores Douglas Ahler, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e David Broockman, da Universidade Stanford. Muitos eleitores americanos, afrima Broockman, dizem querer um sistema de saúde público, similiar ao britânico (posição de esquerda); são favoráveis à deportação dos imigrantes ilegais e a medidas draconianas contra gays e lésbicas (posição de direita). “Parecem moderados, mas são na verdade extremistas”, diz ele, segundo o site Vox.
 
É verdade, portanto, como afirmou Giddens, que a queda do muro de Berlim pôs em xeque os conceitos de direita e esquerda. Mas não é verdade, como ele deduziu, que isso conduzirá necessariamente ao centro moderado. Ao contrário, é possível haver uma polarização ainda mais acirrada, em torno de diversas ideias, bandeiras e interesses que continuam a ser identificados à direita ou à esquerda. Os dois lados do espectro ideológico, apesar de não existirem de modo consistente na sociedade, ainda falam ao coração e despertam paixões. Os motivos para a persistência desses conceitos, para a identificação dos cidadãos com eles e o significado disso tudo para a polarização na política contemporânea serão o tema do próximo post desta série.

Comentário: A armadilha da polarização na política Parte I _ O mito dos moderados



Neste primeiro texto da edição, observa-se como a polarização política se expressa na sociedade brasileira. Tema relevado atualmente, já que o impeachment da presidente e as posteriores repercussões dos grupos que se dividem em predominantemente 2 grandes blocos antagônicos, os petistas e os antipetistas, causam impactos cotidianos.
   
Termos como “esquerda” e “direita” são utilizados muitas vezes pela mídia, porém muitas pessoas os reproduzem sem respeitar o fiel conceito, estes são oriundos da revolução francesa e podem ser resumidos a grosso modo como a esquerda representando os interesses do povo e a direita os interesses particulares de certos grupos.
 
Em uma pesquisa realizada pelo instituto Paraná pesquisas, os pesquisadores ouviram 2020 pessoas maiores de 16 anos, em 23 estados e 164 municípios brasileiros a respeito de 17 questões que polarizam a sociedade, cujas respostas vem a se associar a esta dicotomia, a amostra garante uma probabilidade de 95% em representar a nossa realidade.
 
A partir desta análise porém, vemos que muitas vezes os entrevistados vem a responder de forma a generalizar a ideia de moderação, fenômeno explicado por Anthony Giddens, sociólogo britânico, que em tese afirma que após a queda do muro de Berlim, as pessoas buscam um estado central, ou seja, moderado, revelando uma síntese dos dois extremos. 

Entretanto, diz também que está moderação não é perfeita e que sempre existirão atitudes que vem a assemelhar-se mais a alguma das vertentes.
 
Estes entrevistados que na maioria dizem ser moderadas, após uma série de perguntas, apresentam posturas relativas as duas vertentes, variando conforme própria interpretação da situação, temas como legalização da pena de morte, da maconha e do aborto vem a mostrar que as pessoas estão compreendidas, ora em um extremo, ora em outro com certa contradição entre as ideologias.
 
Concluindo, o fato descrito neste artigo revela que apesar de buscarmos a moderação, a polaridade da política irá mostrar-se muito mais acirrada em nossas escolhas do que já observado em outras épocas da história, a questão é que hoje tudo varia conforme a situação para qual somos apresentados e que devemos julgar conforme nossa própria maneira de ver o mundo, gerando distorções.

TEXTO 2



Desde 2002, o PT venceu as quatro eleições para a presidência da República, duas com Luiz Inácio Lula da Silva, as outras duas com Dilma Rousseff. Em todas, o partido derrotado no confronto final foi o PSDB. Era natural, ao longo da campanha eleitoral, sobretudo no segundo turno, o acirramento dos conflitos entre os partidários de um e outro lado. Depois da posse, o clima costumava desanuviar um pouco, e a política reassumia seu caráter de jogo de tabuleiro, aquele xadrez monótono que nos acostumamos a acompanhar lá em Brasília. Não foi o que aconteceu depois da última eleição.

Até a semana passada, uma vizinha do prédio na frente do meu, em São Paulo, mantinha pendurado na janela um pôster da campanha de Dilma, para todos verem da rua. Nos vários panelaços contra o governo que, desde as manifestações de rua de 2013, têm se sucedido toda vez que Dilma aparece na televisão, essa vizinha costumava imprecar aos berros: “Vocês não querem que pobre ande de avião! Não querem que pobre vá para a universidade!”. A cada grito, era enxovalhada por outros vizinhos que batiam panelas. Não era, como se pode imaginar, um clima dos mais propícios a um debate político civilizado. Mas ainda parece pouco diante do que aconteceu num outro prédio paulistano, onde a briga de uma eleitora de Dilma com um casal que mora no andar de baixo – todos de nível superior, todos relativamente bem de vida – foi parar na delegacia.

Histórias assim se tornaram mais comuns. É como se a ideologia, não importa o nível intelectual, cultural ou sócio-econômico, tivesse se tornado uma válvula de escape para a agressividade humana, como outrora já foi a religião ou, em tempos mais recentes, o futebol. Com a Operação Lava Jato e o processo de impeachment, o clima só piorou. Nas ruas, nos abaixo-assinados, nas redes sociais, as brigas entre “coxinhas” e “mortadelas” – termos depreciativos com que um lado costuma agredir o outro – guardam aquele ar infantil que lembra as disputas incompreensíveis entre corintianos e palmeirenses, montéquios e capuletos, coca e pepsi e dezenas de outras querelas célebres. Quem faz esse tipo de paralelo imagina que os dois lados da briga sejam equivalentes, como dois irmãos que disputam um brinquedo, dois times que querem a mesma taça.
 
Mas há uma diferença essencial entre os dois lados. Eles não são iguais, e não há como analisar a progressiva polarização da nossa política sem entender isso. Embora na certa alguém vá me acusar de partidarismo, nada há, creiam, de partidário na constatação a seguir: a divisão da sociedade brasileira em dois lados antagônicos foi criada e forjada por único um partido político, o PT. Ou melhor, pelos líderes e pelos marqueteiros petistas, como estratégia para vencer as eleições.

Como os resultados eleitorais têm mostrado, a estratégia funcionou. Embora atingido em seu âmago pelos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil, embora tenha errado feio na condução da política econômica nos últimos anos (fato reconhecido pelo próprio Lula), embora Dilma tenha feito promessas de campanha que todos sabiam impossíveis de cumprir, o PT continua no poder. E continua a governar com base naquele discurso tão bem formulado por seus marqueteiros há anos.

É, antes de mais nada, um discurso sedutor, capaz de “lavar a alma” do brasileiro médio, indignado com séculos de iniquidade, com a história de pobreza e desigualdade que grassa no Brasil. Não é um discurso racional, nem tem compromisso algum com a lógica ou a verdade dos fatos, como analisei em a respeito da cartilha petista sobre a Lava Jato. “O que importa não é como as coisas são, mas como parecem ser, e como essa aparência ecoa em nossas respostas mais emocionais e instintivas”, escreve o filósofo canadense Joseph Heath em seu livro “Enlightenment 2.0”. “Assim como os anunciantes descobriram que o importante não é o produto, mas a sensação que você tem ao pensar nele, os estrategistas de campanha e preparadores de discursos decidiram que a comunicação política não é sobre o que você diz, mas sobre como você faz o público se sentir.” Como toda propaganda, é um discurso que procura falar ao coração, não à cabeça.
 
Os dois ingredientes básicos desse discurso são conhecidos de todos, mas não custa resumi-los. O primeiro é a polarização do país entre “nós” e “eles”, “pobres” e “ricos”, “povo” e “elite”, adotada desde a campanha eleitoral vitoriosa de Lula em 2002 e repetida como mantra como forma de desqualificar qualquer opinião discordante. O segundo é a saga heróica de Lula, o retirante nordestino que se tornou uma espécie de messias dos deserdados, um “pai dos pobres” mais original e mais autêntico que seu inspirador Getúlio Vargas, capaz de colocá-los nos aviões e nas universidades, como diz minha vizinha. Os dois ingredientes foram reunidos de modo a armar um discurso tão eficaz para seduzir o eleitor quanto uma boa novela. “Pode-se alegar que todas as campanhas publicitárias de todos os partidos políticos brasileiros, a partir dos anos 80, buscavam extrair vantagens das formas da publicidade e do melodrama industrial”, disse o jornalista Eugênio Bucci recentemente na série de conferências Novo Espírito Utópico. “Isso é verdade cristalina. Com o PT, no entanto, essa tendência foi mais longe e foi mais fundo.”
O melhor paralelo para entender a estratégia petista vem dos Estados Unidos. É o Partido Republicano. Ideologicamente, nada mais distante que um petista e um republicano. Estrategicamente, nada mais parecido. É verdade que a polarização política entre os americanos é mais profunda e mais antiga – começou a se acirrar há pelo menos 40 anos. 

O sistema eleitoral deles, baseado no voto distrital, também engendra um ambiente político naturalmente bipolar, pois favorece a emergência de dois partidos dominantes. Mas há uma semelhança inequívoca entre republicanos e petistas no estilo do discurso, na estratégia política e até mesmo na natureza do partido.

Como o discurso petista, o republicano se reveste de um caráter anti-elitista e anti-intelectual. Pretende opôr o “bom senso” do povo às “teorias esquisitas” que emanam das elites de técnicos, economistas ou acadêmicos. O pioneiro desse discurso foi Ronald Reagan, conhecido por disseminar histórias sabidamente falsas para colorir suas opiniões com fatos eloquentes. Se os fatos não eram propriamente verdade, e daí? Que diferença fazia? Ao contrário de antecessores como Richard Nixon, Reagan não estava muito preocupado em esconder as mentiras que contava. Desde que elas parecessem verdade, desde que o eleitor “sentisse” que eram verdade e se convencesse de que o importante era votar em Reagan, o jogo estava ganho. Os americanos criaram até uma expressão para se referir a esse tipo de discurso que tem jeitão de verdade: “truthiness”, algo como “verdadice”. Repetidas à exaustão, mesmo que desmentidas, as “verdadices” pegam no eleitorado e vencem a realidade.

Durante os anos 1990, os republicanos deram um outro passo, ainda mais polarizador, para recuperar o poder, perdido para Clinton. Estabeleceram uma estratégia de oposição sistemática a qualquer iniciativa dos democratas no Congresso, sem importar seu efeito no país – exatamente como o PT fez ao longo do governo Fernando Henrique Cardoso. A recusa em estabelecer qualquer tipo de compromisso político contribuiu para fazer com que praticamente sumisse do partido a figura do republicano moderado, tão comum nos anos 1960 e 1970, que buscava alianças com representantes do outro lado. Um estudo recente publicado na revista acadêmica Plos One revela, num gráfico montado com base em todas as votações na Câmara de Representantes americana, o avanço impressionante da polarização ao longo dos anos. Episódios extremos, como a paralisia das atividades do governo (“shutdown”) por duas semanas em 2013, pela recusa republicana em elevar o teto da dívida pública, revelam o risco dessa tendência.
 
Também nos Estados Unidos, a polarização é assimétrica. Republicanos e democratas são partidos de natureza diferente – e nesse ponto há outra semelhança intrigante entre republicanos e petistas. “Acadêmicos assumem em geral que a esquerda e a direita americanas são imagens no espelho uma da outra, mas na verdade os dois lados exibem diferenças importantes, pouco percebidas”, escrevem os pesquisadores Matt Grossman, da Universidade do Estado do Michigan, e David Hopkins, do Boston College, em estudo recente sobre o assunto. Há, segundo eles, um grau maior grau de “pureza ideológica” entre os republicanos, que atuam na defesa de causas como cortes de impostos, o direito ao porte de armas ou a proibição do aborto – enquanto os democratas se aglutinam em torno da defesa de políticas específicas que defendem grupos de interesses. Grossman e Hopkins argumentam de modo convincente que a intransigência ideológica dos republicanos na defesa dessas causas foi responsável pela hoje irreversível polarização política no país. As consequências para os dois partidos foram distintas. Democratas, como o presidente Barack Obama, têm dificuldade para governar. Republicanos, amarrados à intransigência e à inflexibilidade, têm dificuldade para escolher um candidato com chance nas eleições de 2016.
 
No Brasil, a situação é bem distinta, mas é possível verificar a mesma assimetria entre partidos mais fiéis à ideologia e outros mais afeitos ao pragmatismo. Em que pesem todas as denúncias de corrupção e as alianças de ocasião em seus 13 anos de governo, o PT e seus aliados à esquerda ainda têm maior consistência ideológica que seus rivais. Quando o PT abandona suas bandeiras em nome do pragmatismo e da governabilidade – da maior presença do Estado na economia à defesa de direitos das minorias –, há uma ruidosa chiadeira das alas mais radicais do partido. O PSDB tem um perfil distinto, mais permeável às alianças e mais preocupado em atender aos grupos de interesse que lhe dão apoio. Seu discurso só se torna mais duro a reboque do PT. É essa falta de "pureza ideológica" que torna a oposição peessedebista tão anódina, ou mesmo artificial, aos olhos do eleitor.
 
Há, enfim, um terceiro ingrediente que tem, historicamente, funcionado como uma espécie de vacina contra a polarização na nossa jovem democracia: o PMDB. Trata-se de um partido sem consistência ideológica nenhuma – mas pragmatismo em abundância. No lugar-comum de Brasília, o PMDB é o “esteio da governabilidade”. Em qualquer governo. Para exercer o poder no nosso presidencialismo de coalizão, tem bastado ao presidente da República acomodar-se aos interesses das dezenas de grupos regionais que compõem o PMDB, distribuindo cargos e ministérios. Esse toma-lá-dá-cá gera repulsa em quem espera um comportamento moral irrepreensível dos políticos. Mas tem um lado positivo, refletido na governabilidade e na estabilidade institucional, sem nenhuma ruptura em mais de três décadas.
 
Tem sido assim desde os tempos do velho centrão, surgido logo no final do regime militar. Até agora. Ao romper com o governo Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, rachou também seu partido. As disputas internas hoje opõem até o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o vice-presidente Michel Temer. O vetor dessas disputas é o mesmo que polariza a sociedade brasileira – aqueles favoráveis a manter a aliança com o PT de Dilma; e os antipetistas, favoráveis ao impeachment. À medida que a polarização toma conta do Congresso Nacional e do PMDB, o velho centrão moderado perde força.

No campo tradicionalmente associado à direita, emergem nomes com um discurso conservador de maior consistência ideológica, que encontra forte eco na população, como revela a pesquisa do instituto Paraná Pesquisas. É o caso do próprio Cunha (contrário ao aborto), do deputado Jair Bolsonaro (defensor dos militares e da pena de morte) ou do também deputado e pastor Marcos Feliciano (representante da tendência religiosa, opositor do aborto e do casamento gay).

O sucesso desse tipo de discurso extremista, à esquerda ou à direita, pode vir a arrefecer com o desfecho do processo de impeachment (qualquer que seja ele), com a eventual saída do PT do poder ou com o surgimento de um novo acordo político que permita a governabilidade. O eco crescente desse discurso na população deixa, contudo, margem para ceticismo. Para entender por que, é preciso decifrar como o discurso extremista se tornou tão sedutor nos tempos atuais, não apenas no Brasil.

Comentário: A armadilha da polarização na política Parte II _ Dois lados desiguais



A política atual em nosso país é bem dividida entre o PT e o PSDB. Existe na população esse senso de bipartidarismo, ou seja, de que o nosso país só é controlado por 2 únicos partidos. Fato observado nos 13 anos em que o PT ficou no poder, com Luís Inácio da silva (Lula) durante 8 anos e mais 5 anos com Dilma Rousseff.
 
Essa divisão por partidos acaba criando a polarização política, onde o embate de ideologias tornou-se um gatilho para a violência humana.
 
Este fenômeno é recorrente de várias regiões democráticas como os Estados Unidos, que se divide entre os republicanos e democratas. No início, os políticos tentavam com alegações falsas, disfarçar suas verdadeiras intenções, algo que veio a mudar a partir da década de oitenta, pois no geral, as diretrizes que certo governo assume deixam evidentes suas intenções.
A principal síntese deste arquivo é que a cultura de massas induz a população a adotar determinada ideologia, prevista no âmbito político, cujos discursos extremos atraem a maioria dos eleitores.


TEXTO 3



Quem acompanha a política contemporânea tem às vezes a impressão de que vivemos num asilo de loucos. Entre tantas de suas frases de muito efeito e pouco sentido, o empresário Donald Trump, favorito a vencer as primárias republicanas para a Casa Branca, afirmou pouco tempo atrás que os Estados Unidos deveriam barrar a entrada de todos os muçulmanos. A ideia não é apenas uma afronta – é tão absurda, pode ser criticada por tantos ângulos, que nem deveria ser cogitada, muito menos pronunciada. Pois Trump voltou a subir nas pesquisas depois da afirmação.
 
Ele fala como poucos o idioma que o eleitor médio de seu partido quer ouvir. Formula de modo provocativo respostas a paixões, por isso seu discurso faz tanto sucesso. “Numa democracia, a crença da maioria é mais importante que a verdade”, diz o filósofo canadense Joseph Heath no livro “Enlightenment 2.0” (Iluminismo 2.0, ainda sem tradução no Brasil). Por isso mesmo, políticos como Trump se preocupam mais com a primeira que com a segunda. Disso depende sua sobrevivência. Se a maioria acredita que os muçulmanos são todos terroristas, que o clima do planeta nada tem a ver com a atividade humana ou que o governo promove ajuste fiscal só para agradar aos bancos, a verdade, bem, a verdade que se lixe.
 
The Donald não é uma exceção nos tempos atuais. Depois de varrer a América Latina desde o início do século, com nomes como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales ou o nosso Luiz Inácio Lula da Silva, o populismo – que não se preocupa com os fatos e a lógica, apenas com a emoção do povo – anda em alta na Europa, onde subiu a cotação de nacionalistas como a francesa Marine Le Pen ou o húngaro Viktor Orbán. Em comum, além do discurso simplificador, capaz de agradar a massa, todos transmitem paixão no lugar de argumentos racionais. “Soluções simples para problemas complexos são fáceis de vender”, diz Heath. “Os inimigos da razão sempre terão os melhores slogans.”

Eis, aí, o legado de mais de dois séculos da Revolução Francesa, aquela que pretendia elevar a razão ao papel de força motriz de todas as decisões políticas. “Nossa sociedade é um produto do Iluminismo – dos argumentos e teorias que prevaleceram durante aquele período”, afirma Heath. Como filha promogênita das ideias dos filósofos do século XVIII, a democracia moderna se baseia num conceito singelo: o debate racional entre as diferentes ideias pode chegar a um compromisso de modo eficaz. É verdade que nem todos concordam, mas, desde que a população esteja representada de modo justo nas instituições democráticas, o meio termo racional, o centro moderado entre várias visões antagônicas seria o resultado natural – e representaria a melhor resposta política para a sociedade.
 
Tomemos uma questão recente como exemplo: a responsabilidade fiscal. À direita, há aqueles que consideram os gastos do governo um desperdício, defendem a privatização das estatais e o fim de benefícios sociais que consideram privilégios.  À esquerda, aqueles que consideram o Estado como propulsor da economia, acreditam que os gastos públicos são a melhor forma de fazê-la funcionar, redistribuir a renda e corrigir as injustiças sociais. Entre esses dois polos, está aquilo que o cidadão médio consideraria o “pensamento racional” no debate político. Há também extremistas de direita (que defendem até a privatização da polícia e o fim do Banco Central) ou de esquerda (que defendem o fim da propriedade privada e a intervenção do Estado em todos os mercados). Mas esses estariam isolados na “zona da maluquice”, sem força política, como na figura abaixo:

Estaria a opinião média da sociedade. No caso de necessidade de ajuste fiscal, poderiam ser promovidos cortes em programas não essenciais, com a manutenção de alguns benefícios sociais, como o Bolsa Família. Ou poderia haver mudanças nas leis que engessam o Orçamento, para remanejar gastos de áreas supérfluas para outras estratégicas, como educação, saúde ou infra-estrutura. Poderia haver, enfim, a venda de algumas estatais, sem sair de setores mais caros à esquerda, como energia e petróleo. As possibilidades de ação são inúmeras. Um debate robusto seria reconhecido como justo pelo cidadão de qualquer posição política. Todos seriam obrigados a apaziguar suas paixões, em nome da solução de compromisso racional e democrática.
 
Tal seria a resposta iluminista para o conflito político, ideal que pode ser resumido numa frase: é só deixar a razão funcionar, que as melhores soluções emergem naturalmente. Ora, basta olhar ao redor para perceber que o mundo infelizmente não funciona assim. O impasse que há décadas engessa o Orçamento no Congresso Nacional e o discurso de Donald Trump nem são o pior resultado das falhas do Iluminismo. O século XX foi uma era de genocídios, bomba atômica, revoluções sangrentas e guerras insanas. Desde a Primeira Guerra Mundial, todos sabiam que havia algo de muito pretensioso, ou muito ingênuo, nas ideias dos filósofos do século XVIII e XIX. As “zonas da maluquice” parecem volta e meia mais fortes que o “centro moderado”. Como explicar isso?
 
A primeira conclusão, surpreendente para alguns, é que nem sempre o “centro moderado” traz a melhor solução para a sociedade. Todo o arcabouço institucional que existe nas democracias hoje é resultado, como queria o projeto iluminista, de argumentos racionais que prevaleceram sobre as paixões humanas. Muitos deles habitaram durante muito tempo os extremos do espectro político. A “zona da maluquice” não inclui apenas genocidas, candidatos a tiranos ou Donald Trump. Também traz muitas ideias novas que chocam pelo ar inusitado, mas podem ser benéficas quando implementadas. “O mundo em que vivemos hoje é ao mesmo tempo artificial e contra-intuitivo”, escreve Heath. “As três maiores características institucionais da nossa sociedade – o mercado, a democracia representativa e os direitos humanos – foram inovações que, quando adotadas, chocavam como completamente malucas, absolutamente contrárias à natureza humana.”
 
A segunda conclusão é que o Iluminismo não entendeu a essência dos problemas coletivos. A crença cega em que a razão age naturalmente na direção da resolução dos problemas ignorava o conhecimento moderno que hoje temos a respeito do funcionamento cérebro humano. Quem melhor descreveu essa dinâmica foi o psicólogo israelense Daniel Kahneman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2002. Em seu trabalho, Kahneman descreve dois sistemas que funcionam de modo paralelo em nossa mente, chamados genericamente de Sistema 1 e Sistema 2.

O Sistema 1 é intuitivo. Funciona de modo inconsciente, automático. É associativo, pragmático, não exige o uso da memória para extrair suas conclusões. É mais rápido e demanda pouco esforço. Não pode ser controlado. O Sistema 2 é racional, analítico. Está ligado à linguagem e à consciência. Exige memória e inteligência para a execução de raciocínios sequenciais. É capaz de abstrações e formulações hipotéticas. Pode ser controlado e responde a nossas intenções. Mas demanda grande esforço e é bem mais lento. Ambos os sistemas são necessários. Sem o primeiro, não seríamos capaz de reconhecer padrões ou de enfrentar situações de risco iminente. Sem o segundo, não teríamos desenvolvido nenhuma das conquistas científicas do mundo moderno e, na média, estaríamos mortos aos 40 anos, vítimas de algum protozoário desconhecido – em vez de ter o privilégio de poder viver mais para ouvir seres evoluídos como Donald Trump.
 
O problema dos iluministas, segundo Heath, foi ter desprezado a relevância do Sistema 1 para a política, “o tratando como inexistente ou inferior à razão”. Eles achavam que a razão resolveria tudo sozinha. Não deu certo. Ao longo do século XX, contudo, o Sistema 2 é que foi sendo relegado a segundo plano, à medida que filósofos, sociólogos e publicitários passaram a considerar a intuição como nossa principal característica e virtude. O discurso populista tão em alta nos dias de hoje é resultado disso. Os marqueteiros ou políticos como Trump entenderam como ninguém o Sistema 1. Sabem exatamente que tipo de discurso soa verdadeiro aos ouvidos do cidadão médio – tem aquela característica conhecida em inglês pelo neologismo “truthiness”, a aparência de verdade. Ainda que essa aparência seja falsa, tal discurso fala às “verdades mais profundas”, em geral o conjunto de crenças latentes, arraigadas e confirmadas pela intuição. Ele fala, no fundo, aos nossos preconceitos.

 
O papel da razão na política é nos libertar dessas armadilhas intuitivas que conduzem aos preconceitos e às crenças erradas. É nos livrar daquilo que os cientistas chamam genericamente de “viés cognitivo”. No exemplo do ajuste fiscal, apenas a razão é capaz de nos fazer entender que o Estado não tem recursos para tudo e que é preciso fazer escolhas – escolhas duras – sobre que destino dar ao dinheiro dos nossos impostos. Isso é da natureza do problema e, num momento em que a economia encolhe, os recursos encolhem ainda mais. Mas é contra-intuitivo. O Sistema 1 nos faz crer que o ajuste fiscal é apenas uma “maldade para agradar os bancos, em prejuízo do trabalhador”.

Os exemplos de questões políticas e econômicas em que a intuição pode nos enganar são inúmeros. “É difícil explicar por que os salários não têm relação com quão duro alguém trabalha ou com o valor que produz”, diz Heath. “É incrivelmente difícil explicar por que o comércio internacional é mutuamente benéfico e não gera desemprego, ainda que os salários em um país sejam muito mais altos que no outro. Portanto, o protecionismo sempre terá enorme apelo intuitivo.” É difícil explicar que alguém pode ser contra uma guerra sem ser a favor do inimigo – embora isso pareça contra-intuitivo. Que pode considerar o aborto imoral e, mesmo assim, ser favorável à sua legalização – embora isso pareça contra-intuitivo. Que pode acreditar piamente em Deus, mas ser radicalmente contra a interferência da religião nos assuntos de Estado – embora isso pareça contra-intuitivo.
   
Todas essas conclusões são compromissos e só podem derivar de uma construção racional. O compromisso, proposto pelos iluministas, está na essência da negociação política. Por ser sempre resultado de uma deliberação racional, nunca será visceralmente satisfatório, nunca estará de acordo com nossas crenças intuitivas. É difícil contrapor soluções de compromisso lentas e dolorosas ao discurso “puro” e sedutor das nossas intuições, que parece resolver tudo de modo rápido e fácil. Daí o horror que defensores da “pureza ideológica”, os marqueteiros ou os populistas parecem ter às soluções de compromisso, sempre difíceis de explicar em termos simples que sejam entendidos e aplaudidos pela massa. O ser humano é, para horror dos populistas, complexo – e a política mais ainda.
 
Não há política sem compromisso. Nossa capacidade de cooperação e coesão social  está baseada, segundo o filósofo escocês David Hume, na visão racional de que todos se saem melhor se houver regras comuns, com que todos concordem. Ninguém individualmente, de modo visceral e intuitivo, concordaria em respeitar alguma regra restritiva em nome do bem comum. Só faz isso se estiver racionalmente convencido das forças que embaralham o problema e da necessidade de uma ação coletiva, em que todos respeitem as regras. A razão é, portanto, essencial para os melhores resultados políticos para a sociedade. Ela alcança metas que apenas a intuição jamais conseguiria – e é essencial para a resolução de qualquer tipo de problema, seja ele matemático, médico, econômico ou social. Nisso, os iluministas não estavam errados. “A realidade é algo prosaica”, diz Heath. “A razão é bem menos poderosa e autônoma do que antes era considerada, mas ainda é indispensável para várias formas de conhecimento.”
 
Seria possível resgatar o papel da razão no debate político? Apenas fazer contra-propaganda contra o populismo ou as informações falsas não resolve (que o digam aqueles oposicionistas brasileiros falsamente acusados de querer privatizar a Petrobras ou acabar com o Bolsa Família; ou aqueles petistas falsamente acusados de querer implantar o comunismo). Quando alguém grita, gritar de volta não ajuda muito, apenas aumenta o barulho. De que adianta desmentir num jornal ou site, lido por milhares, uma afirmação falsa dita num debate ou num programa gratuito de TV diante de uma audiência de dezenas de milhões? O irracionalismo contamina a esfera política de modo tão insidioso que, de acordo com Heath, “parece uma característica da condição humana, em vez de um estado patológico que permitimos que se desenvolvesse e precisamos tomar medidas para mudar”.
 
O mais importante é entender de cara que não haverá mudança espontânea. A capacidade humana para usar a razão é frágil e cansativa. “Há algo profundamente irrealista na velha estratégia do Iluminismo de simplesmente pedir que pensem melhor, ‘questionem a autoridade’ e assim por diante”, diz Heath. “É como dizer a um obeso compulsivo que coma menos ou a alcoólatra que pare de beber..Nem é um conselho errado, apenas inútil.” Nossa suscetibilidade ao viés cognitivo e às crenças falsas não é uma aberração, algo cuja responsabilidade possa ser atribuída à “aos “poderosos” ou a alguma outra fantasia externa.


Comentário: A armadilha da polarização na política Parte III _ A derrota da razão



A política contemporânea parece ser composta por figuras de destaque, que têm como principal característica a capacidade de guiar a população, ainda que por métodos que lembram o populismo.

Seja Donald Trump, empresário americano conhecido por suas frases polêmicas, ou até outros nomes como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales ou Luiz Inácio Lula da Silva, podemos observar além do discurso simplificador, capaz de agradar a massa, que todos transmitem emoções, ao invés, de argumentos racionais.
 
Segundo o filósofo canadense Joseph Heath “Numa democracia, a crença da maioria é mais importante que a verdade””. Logo, políticos como Trump preocupam-se mais com a primeira que com a segunda, pois é disso que depende sua sobrevivência na esfera política. Por exemplo, se a maioria acredita que os muçulmanos são todos terroristas, que o clima do planeta nada tem a ver com a atividade humana ou que o governo promove ajuste fiscal só para agradar aos bancos, pouco importa a verdade.
 
O debate político teria como função a sintetização de ambos os lados e através deste será possível que adotemos as opções mais racionais.


C – TEXTOS COMPLEMENTARES



Infiltração nas escolas:

 

 

A dicotomia política pode acabar se infiltrando nas escolas a partir do momento em que observamos jovens se dividindo entre grupos com diferentes ideias na sala de aula, ideias essas que podem ser desde simples opiniões até ideais políticos. O jovem em si é grande ameaça a esse fenômeno por estar numa fase de formação de ideias, caminhando para a fase adulta, sendo assim, o jovem de hoje é o adulto de amanhã que tera que cuidar do país, e é muito importante que esse jovem saiba formar suas ideias sem influências externas.
 
O fenômeno dessa difusão de ideias entre grupos é causado pela tendência do ser humano a se adaptar para assim se encaixar nesses grupos sociais, tudo uma questão de pressão social. A tendência correta seria de se promover o debate e pensamento crítico nas escolas, pois é preciso que esses grupos isolados vejam diferentes pontos de vista para que assim possam refletir sobre os mesmos que mantém. Debate entre diferentes pontos de vista promovem o aprimoramento dos mesmos na tentativa de provar que o outro está errado e ainda podem abrir os olhos, pois há grupos que não consideram cabível existirem ideias diferentes dos deles.
 
Por conta disso que a visão política deve ser tratada com muito cuidado nas escolas, mesmo que seja impossível abordar qualquer tema imparcialmente, todos devem ter a oportunidade de serem ouvidos e de poderem escolher, mesmo que de maneira duvidosa, suas próprias ideias de maneira livre.

Outro ponto importante a se tratar seria sobre a ocorrência de Bullying entre os grupos de diferentes ideias nas escolas, haja vista que já tratamos do porque esses grupos se dividem e do porque é importe que haja o dialogo, podemos ver como esses jovens acabam se grudando tão fortemente a ideias por pura emoção e pressão social, assim causando casos de violência contra quem duvide de seus ideias, pois para alguém desse tipo, a ideologia preenche um buraco na personalidade, e quanto maior esse buraco, maior será a aversão à contrariação desses ideias que acabam sendo levados a um lado tão emocional.


O Diagrama de Nolan




“Não acredito que faça muito sentido tentar analisar a política do século 21 usando um modelo desenvolvido para descrever a organização dos assentos do Parlamento Francês de 220 anos atrás - David Nolan, ativista e cientista político‘”. A frase, pertencente ao ativista e cientosta político David Nolan, pode ser relacionada ao atual cenário político brasileiro, marcado severamente pelo maniqueísmo ideológico.
 
Expressões tais como direita e esquerda, são utilzados constantemente para se refereirem ao um determinado conjunto de ideias, de modo equivocado e ilógico, que muitas vezes impossibilita o debate democratico e separa indivíduos em grupos muitas vezes extremistas.
 
Sabendo que é impossível transferir todas as nuances da política (seja em relação ao aspecto social ou o econômico) a uma representação binária e unimensional ( a clássica reta, direita – esquerda) sem evitar criação de estereótipos, chega-se a conclusão de que o diagrama de nolan é a solução para essa dicotomia . Isto pois, ainda que possua certas falhas quanto à precisão da representação gráfica de certas ideologias, separa questões sociais das econômicas, o que, na prática, explicita semelhanças ideológicas, encorajando o debate organizado. Por fim fornece maior visibilidade à certas correntes politicas que contam com os estereótipos tanto de esquerda, quanto os de direita, em determinados aspectos (como por exemplo o libertarianismo e o liberalismo).
 
O Diagrama de Nolan ou Gráfico de Nolan é um diagrama político criado por David Nolan em 1969, o qual divide as orientações políticas humanas em dois vetores - liberdades econômicas e liberdades individuais - para produzir um plano cartesiano.
 
Diferentemente da separação tradicional esquerda/direita e outras taxonomias políticas, o Diagrama de Nolan na sua forma original tem duas dimensões, com um eixo X horizontal chamado de "liberdade econômica" e um eixo Y vertical chamado "liberdade individual". Ele se assemelha a um quadrado dividido em quatro quadrantes, com cada amostra da população atribuída a um dos quadrantes.
 
Muitas variações do Diagrama de Nolan foram criadas, com algumas girando
o gráfico 45 graus no sentido anti-horário para fazer com que a representação tradicional de esquerda/direita fique numa linha horizontal, conforme o espectro político tradicional.
 
Os estudos de Nolan auxiliam na desconstrução do conceito das agendas políticas, ou seja, na crença de que, para defender legitimamente um determinado ideal, é necessário apoiar outros em conjunto. Por exemplo, é comum associar que, se uma pessoa é favorável à reforma agrária, consequentemente deve ser favorável à legalização da maconha, por mais que tais assuntos pertençam à categorias totalmente distintas.
 
Infelizmente a existência desses padrões implica no enfraquecimento do pensamento crítico e na expansão do conhecimento político. É comum que as pessoas deixem de explorar outras perspectivas com medo de perderem sua identidade política ou se distanciarem ideologicamente de determinados grupos.

Por mais que muitos afirmem que tais agendas políticas sejam condizentes com a realidade, a verdade é que muitos, ainda que  se declarem de direita ou esquerda, acabam por não seguirem os estereotipos e, por consequência, entram em contradição.
 
Como observado nos resultados realizados na pesquisa deste trabalho, há uma contradição quanto aos padrões pré estabelecidos pelo maniqueísmo político. Segundo o resultado da última questão, a maioria dos entrevistados se identifica como sendo de direita.
 
Seguindo essa lógica, selecionariam, na questão 10 (que expõe ao leitor cinco diferentes visões políticas, que são , respectivamente: marxismo, conservadorismo, libertarianismo, fascismo e liberalismo clássico), a alternativa em  que se expressa o pensamento conservador. Eis que a alternativa mais popular foi a frase de Karl Marx, ícone máximo da “esquerda”.
Tal situação, levando em conta que, mesmo com tal contradição, as pessoas ainda se disponham a argumentar em outros assuntos, leva a conclusão de que muitos não possuem total consciência das bandeiras políticas que defendem de modo tão fervoroso. Acreditam cegamente em instituições e partidos, sem ao menos se questionarem se o que eles dizem é verossimil.
 
É nesse contexto em que se instala a alienação. O conformismo gerado pelo pertencimento em um grupo, que pensa de modo homogêneo, leva as pessoas a criarem filtros ideológicos, fortalecendo cada vez mais essa polarização política. O geógrafo brasileiro Milton Santos, resume esse sistema, na seguinte frase: "A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une".




Diagrama de Nolan . Disponível em <https://goo.gl/images/WL0L2E>.

Acessado em: 01/09/2017.


Soluções Democráticas

 

 

Mas como conseguir para resolver o problema de polarização entre o meio escolar?
Bem uma possível resposta a esse problema pode ser encontrada na zona sul de São Paulo, na EMEF Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, localizada no bairro de Campo Limpo, nela foi feito um experimento realizado pela diretora Solange Aparecida Tabrito de Amorim  de incluir no plano pedagógico da escola atividades como debate para seus estudantes. Solange conta que o ponto de partida foi a defesa intransigente da democracia e suas relações com a educação.

Esse pode ser considerado um exemplo de solução democrática para conseguir responder a essa pergunta.
 
Mas será que assim com debates alguns jovens não o usariam para fundamentar mais ainda um pensamento polarizado. Pois mesmo que na escola isso não se mostre, ainda temos o maior dispositivo de comunicação do mundo: a internet, onde com as técnicas de debate e o anonimato ele consiga levar a outros a ter a mesma opinião e dividir mais ainda a sociedade. Pois então além de ensinar o debate devemos ensinar também que independente da opinião alheia a sua não é superior nem inferior a dos outros e que não devemos impor a nossa opinião e pensamento ao outro apenas o expor e que não devemos expressar com ódio.
 
Assim a melhor maneira de chegar uma solução democrática e pacífica é com o debate respeitoso e sem julgamento. Para que assim não ocorra casos como a de Gina Vieira Ponte que foi agredida durante as eleições em Brasília: ”Lembro que os meninos me perguntaram qual era a minha posição e eu falei. Não é correto fazer proselitismo, mas é necessário de maneira ética colocar a sua posição”. Após isso, Gina conta que os estudantes a pegaram pelo braço em uma postura violenta de tentar intimidar seu voto. 

Ela conta que sua posição foi de esperar “os ânimos se acalmarem” e propor uma conversa sobre a gravidade que representa violar o direito do outro ter uma posição diferente da sua e lançar mão de posturas agressivas para sustentar sua posição.


REFERÊNCIAS



GUROVITZ, Hélio. A armadilha da polarização na política I – O mito dos
Moderados. GLOBO (G1). Disponível em :
 
 
GUROVITZ, Hélio. A armadilha da polarização na política II – Dois lados Desiguais. GLOBO (G1). Disponível em :

 
GUROVITZ, Hélio. A armadilha da polarização na política III – A derrota da razão. GLOBO (G1). Disponível em :

 
BASÍLIO, Luiza. Polarização política nas escolas: o que fazer?. Centro de Referêncais Educação Integral,São Paulo, 31 Abr. 2013.Disponível em<http://educacaointegral.org.br/reportagens/polarizacao-politica-nas-escolas-fazer/>. Acessado em 05/09/2017

 
Nolan Diagram Org . Disponível em<http://diagramadenolan.org.br/o-que-e-o-diagrama-de-nolan?locale=pt>. Acessado em 05/09/2017
 
BASÍLIO, Luiza. Polarização política nas escolas: o que fazer?. Centro de Referêncais Educação Integral,São Paulo, 31 Abr. 2013.Disponível em<http://educacaointegral.org.br/reportagens/polarizacao-politica-nas-escolas-fazer/>. Acessado em 05/09/2017

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